A potência revolucionaria do alargamento da sensibilidade por meio da arte

Cecilia Valentim
12 min readFeb 17, 2022

A revolução da percepção humana, hoje, não passa pelo confronto ideológico, pelo domínio da natureza, pelo desenvolvimento tecnológico, pelo avanço científico, pelo domínio do tempo, pela atividade exclusivamente intelectual mas, sim, pelo alargamento da sensibilidade.
Para desenvolver a afirmação anunciada no título desse artigo, a qual reconhecemos ambiciosa para os limites deste breve texto, consideramos importante deixar claro o significado dos termos principais para que possamos caminhar juntos em sua compreensão. A palavra revolução, do latim Revolvere, refere alguns significados: etimologicamente, significa revirar, mexer alguma coisa, remexer, remexer-se, deslocar. Aquele que revela o sentido dessa palavra aqui, refere-se ao seu significado social: uma completa mudança de métodos, opiniões, valores como resultado de evolução ou, melhor dizendo, da percepção de mundo. Como sensibilidade entende-se a capacidade de perceber pelos sentidos com a consciência e compreensão do que lhe é sensível. Não nos dedicaremos à ambiguidade que a palavra “sentir” guarda no português, em relação tanto ao sensório quanto aos sentimentos, para nos concentrarmos na definição específica de sensibilidade estética. A
sensibilidade é inerente ao ser, pois é, de fato, o único caminho para um organismo poder experimentar a existência.

Experiência é tudo: nosso movimento, nosso corpo, a percepção do espaço, sons, aquilo que nos rodeia, que nos compõe e que, em última instância, somos nós mesmos. Uma experiência que é, em primeira instância, estética, pois diz respeito ao que é percebido e apreendido ao que é compreendido a partir do que é percebido. Recorrendo a etimologia, estética, do grego aesthesis, significa aquilo que é percebido pelos sentidos. Um perceber não apenas sensório, mas que ao incluir a capacidade de reconhecer e compreender o percebido, é revelada esteticamente no modo de ser e agir no mundo, que é sempre co-criado. Esta compreensão de experiência estética deriva da filosofia de Arnold Berleant, Professor Emérito de Filosofia na Long Island University (EUA) e ex-presidente da International Association of Aesthetics, cuja filosofia articula o conceito de engajamento com a revisão da noção de ambiente desde a década de 1990, particularmente, em dois livros fundamentais: Art and Engagement (1991) e The Aesthetics of Environment (1992). Em sua produção mais recente, confirma-se a experiência estética como um acontecimento contextual, em uma cultura sendo, inevitavelmente, uma experiência simultaneamente pessoal, social e política:
Falo aqui da percepção mais do que sensação porque percepção inclui mais do que a percepção sensória. A expressão “sense perception” denota a parte sensória da percepção, de apenas parte das influências do ambiente. Mas esta sensação é mediada, qualificada, apreendida e formada por uma multiplicidade de fatores: biológico, social, cultural e de forças materiais que são partes integrantes do mundo humano. (BERLEANT, 2010, p.5).

ESTÉTICA E SENSIBILIDADE

Estética e sensibilidade estão completamente amalgamadas em toda e qualquer experiência humana. A organização humana é basicamente compartilhar a estética e, politicamente, encontrar caminhos específicos para organizar a vida juntos (BERLEANT, 2016). Compartilhar a estética é compartilhar a sensibilidade, que traz consigo o que Arnold Berleant chama de consciência estética: atividade que faz pensar a experiência, nos conscientizar dos valores que emergem dela. Valor é o que consideramos importante para a vida, para as relações, que estão inerentes ao engajamento estético. Quando a percepção muda, o comportamento muda. Por isso, a sensibilidade é o que o sistema busca, obsessivamente, controlar, pois pessoas sensíveis não são previsíveis e facilmente dominadas: são criativas, questionadoras, curiosas, empáticas, livres.

Não é difícil observar como o sistema procura controlar nossa sensibilidade, criando necessidades para co-optar, ou seja, apropriar-se de algo de outro para seu próprio uso (BERLEANT, 2010), pervertendo nossos valores, enfatizando o individualismo, as relações de poder sobre o outro, o excesso. A informação manipulada e distorcida dos discursos e imagens difundidos pelos meios de comunicação de massa explora nossa sensibilidade, se apropria das nossas emoções. Manipulando nossa percepção, dá aos nossos olhos o que ver, aos ouvidos o que ouvir, à pele o que tocar, ao nariz o que cheirar. Exercendo o domínio sobre o corpo, onde reside nossa sensibilidade, nos impõe o que sentir, comer, vestir, pensar, condiciona nossa cognição. Ao apropriar-se do tempo nos coloca congelados no fazer interminável das linhas de produção, onde o tempo de ser inexiste, devorando nossa sensibilidade e nos tornando uma reprodução oca de nós mesmos:

A rigor, esta “torrente de mundo exterior” se expressa na avalanche das imagens exógenas que nos assediam em todos os espaços e tempos, apropriando-se de nosso espaço e nosso tempo de vida, nossos mundos de interioridades e de nossos ritmos e durações vitais. Cedendo ao assédio, em primeiro lugar nos transformamos em imagens, seres sem interioridade, sem tempo, portanto, que ocupam o espaço reivindicado apenas pelas superfícies. Isso quer dizer, somos obrigados a viver uma abstração, um corpo sem matéria, sem massa, sem volume, apenas feito de funções abstratas como trabalho, sucesso, visibilidade, carreira, profissão, fama. Em seguida, ao ganharmos o status de imagens, passamos a viver também o destino das séries e reproduções, do tempo hiper-acelerado das versões que se sobrepõem às anteriores, destinando- as ao descarte e já se preparando para o auto-descarte. O destino dos nossos corpos-imagens é o envelhecimento precoce das ondas da moda, o do hiper-aquecimento que gera curto-circuito. (BAITELLO, 2005, p. 56).

Como nas pinturas emolduradas de paisagens prontas, mantém nossa percepção estática, na superfície das coisas, naquilo que Merleau-Ponty chamou de fé ingênua. As coisas são como são: sempre visíveis, uniformes, previsíveis. Em troca, o sistema oferece a imobilidade eterna, o conforto da permanência absoluta, o mundo em uma única perspectiva:

Toda análise reflexionante não é falsa, mas ainda é ingênua enquanto dissimular sua própria mola e, para constituir o mundo, for preciso ter noção do mundo como pré- constituído, de modo que o processo se retarda, por princípio, em si mesmo. (MERLEAU-PONTY, 2012, p.43).

Mas o sistema que organizamos não é uma entidade fora de nós. O sistema somos nós, foi e é criado por nós diariamente. Nós o nutrimos e sustentamos. A divisão aparente entre nós e “O” sistema, criada ao longo de séculos de dualismo e racionalismo científico não existe “em si”. É ilusória. É uma abstração humana na tentativa de compreender o mundo, colocando-se fora dele, uma ilusão que coloca “O” ambiente fora de nós e, ao fazê-lo, torna-se perniciosa e traz graves consequências para o planeta, para a comunidade humana, para comunidade planetária, permitindo ações destrutivas em nossa própria casa, ofendendo a nós mesmos. Mas a consciência de que nós somos uma dimensão desse ambiente e que co-criamos esse sistema, abre uma janela importante para a revolver essa mentalidade e possibilitar sua transformação. É aqui que entra a arte, incorporação ativa e moduladora da nossa percepção do mundo.

A proposição de Berleant formou- se entre a fenomenologia europeia, notadamente em referência a Husserl e Merleau-Ponty, e o pragmatismo de John Dewey. Não obstante a experiência estética estar em toda a parte, além da arte, na intensificação da experiência promovida pela arte, nossa sensibilidade está totalmente engajada, reconciliamos nossas dimensões, integramos nosso ser com o ser do mundo:

Meu acesso pela reflexão a um espírito universal, longe de descobrir enfim o que sou desde sempre, está motivado pelo entrelaçamento da minha vida com as outras vidas, de meu campo perceptivo com o de outros, pela mistura de minha duração com as outras durações. A carne (a do mundo ou a minha) não é contingência, caos, mas textura que regressa a si e convém a si mesma. (MERLEAU-PONTY, 2012, p. 142).

Portanto, pode-se inferir que o engajamento da sensibilidade pelo fazer da arte é uma ação política, social: podemos questionar a nós mesmos sobre que tipo de experiência estética estamos vivendo, subverter valores distorcidos e estagnados, abrir perspectivas, criar novas paisagens, experimentar novos movimentos e sensações em nossos corpos. Como já dito, sensação não é apenas sensória, como não é só psicológica. Ela se funde com as influências culturais. Esse é, de fato o único caminho que um organismo cultural pode experimentar. A separação entre sensação e significado é uma das sutis divisões que a atual experiência não suporta mais. Como seres sociais, nós percebemos através dos modos da nossa cultura (BERLEANT, 1992, p. 53):

O ambiente humano inclui não apenas coisas no mundo natural e construído; ele compreende de modo mais significante, humanos dentro do mundo social. No entanto, a dimensão estética nas relações humanas frequentemente não é reconhecida e a sua importância é negligenciada. Afirmar a estética social não significa que sempre há uma dimensão estética dominante nas relações humanas, mas sim que ela geralmente está presente e, às vezes, pode predominar. Porque o engajamento estético frequentemente exerce uma parte significante na dinâmica das relações humanas. Ele pode ser vivenciado nas dinâmicas de grupo quando um entusiasmo comum se desenvolve e leva à transcendência do self em um propósito comum e a uma satisfação sensível na sua busca. Assim, o engajamento estético permeia a experiência humana e responde tanto pela apreciação das artes quanto pela apreciação do ambiente. Nos conduzindo além das artes, o engajamento estético pode também iluminar e enriquecer as relações sociais. O reconhecimento da experiência pelo engajamento estético, faz com que sua presença seja apreciada e sua influência seja encorajada. (BERLEANT, 2016, p. 4).

A arte nos encoraja a apreender novos caminhos para expressar nosso modo de ser em profundidade. Segundo Berleant, a pegar o mundo completamente:

Pegar o mundo completamente, empregar todo o espectro da percepção é magnificar nossa experiência, nosso mundo humano, nossas vidas. O ponto, então, não é só uma expansão, mas um despertar como parte de uma totalidade, organicamente engajada, social. Isso requer um estado atento, um inteligente e ativo envolvimento com o escopo completo da experiência. (BERLEANT, 1992, p. 24).

Inerente ao ambiente onde ocorre, o Ser da arte, no engajamento estético proporcionado pelo canto, assim como em outras artes, é sempre pessoal, social e político: pessoal porque, como dito antes, cada Ser percebe ativamente e expressa o mundo a sua maneira; social porque há sempre um contexto onde tal fazer acontece, criado por todos que o compõem; político, porque modifica o ambiente ao alargar a sensibilidade, abrindo a possibilidade para a percepção e criação de novas realidades. De fato, se torna o próprio canto: o corpo do cantor que gera o canto é o mesmo que é vibrado pelo som criado. Aqui, o primado do corpo em toda e qualquer experiência deve ser reconhecido. Esse reconhecimento passa por ultrapassar a dualidade cartesiana que separou o corpo em partes, reduzindo-o a uma mera máquina de sensações, tornando-o um invólucro incômodo, mas necessário para abrigar os pensamentos e ideias advindos da concepção de uma mente separada e superior a ele, abstraindo-o de sua profundidade.

Na incorporação ativa do mundo, o corpo é o lugar onde reside a experiência, de onde surge toda e qualquer percepção, compreensão e expressão. A escuta interna e a escuta do mundo são camadas que residem em um corpo perceptivo: é a partir dele que a pessoa percebe a si mesma e ao outro, que compreende o mundo ao seu redor e expressa seu modo de ser. Um corpo que ocupa um lugar físico no mundo, um espaço e um tempo, onde a experiência sensível acontece. Um corpo estético:

Nós podemos pensar em um corpo estético, então, como culturalmente modelado, entrelaçado e embebido em uma complexa rede de relações, cada qual com um caráter e dinâmica distintos. Raça, classe, gênero e geografia, são vividas através de formas e estruturas corporais. Essas diferentes estruturas culturais, sexuais, raciais e sociais, estão inseridas em corpos vivos. O corpo estético, como receptor e gerador da experiência sensorial, não é estático ou passivo, mas possui sua própria força dinâmica, mesmo quando inativo. A incorporação estética está acontecendo, completamente presente, através da presença característica do corpo, por meio do foco e da intensidade sensoriais que nós associamos com a experiência da arte. (BERLEANT, 2004, p.10)

O corpo é onde a voz canta[1]; não é apenas um recurso ou objeto, mas o meio pelo qual experimentamos e manifestamos a totalidade do nosso ser. Um corpo emocionado que traz dentro de si o registro de toda experiência vivida, que cria marcadores somáticos[2] que modelam uma forma e um modo de ser e agir no mundo e definem a qualidade sonora e expressiva daquele que canta em uma estética pessoal, que se move em direção a si mesmo, que fala a todos os seus sentidos em um movimento unificado:

Ou seja, os aspectos sensoriais de uma coisa constituem conjuntamente uma mesma coisa, como o olhar, o tato e todos os outros sentidos são conjuntamente os poderes de um mesmo corpo integrados em uma única ação. Em suma: os sentidos se comunicam. E, paradoxalmente, isso ocorre porque o corpo é uno. (FRAYSE-PEREIRA, 2010, p.177)

Assim, canto e aquele que canta são inseparáveis. Portanto, a expressão do cantante, manifestada simultaneamente no corpo e no ambiente, é resultado de uma série de fatores que o influenciam, que determinam a qualidade da experiência, que é revelada pela voz, impondo o aprofundamento de um tipo específico de percepção que envolve a escuta do corpo “em-si”, dos movimentos internos que o constitui, de suas possibilidades expressivas (Merleau-Ponty apud Frayse-Pereira, 2005) e a consciência, daquele que canta, que ao cantar se torna visível e vidente, cantado e cantante, ouvinte e audível, tocante e tocado, para além do corpo na densidade da matéria:

Ainda mais uma vez: a carne de que falamos não é a matéria. Consiste no enovelamento do visível sobre o corpo vidente, do tangível sobre o corpo tangente, atestado, sobretudo quando o corpo se vê, se toca vendo e tocando as coisas, de forma que, simultaneamente, como tangível, desce entre elas, como tangente, domina-as todas, extraindo de si próprio essa relação, e mesmo essa dupla relação por deiscência ou fissão de sua massa (MERLEAU-PONTY, 2012, p.141).

Um corpo comparável à obra de arte:

É o corpo que permite a pregnância das experiências auditivas, táteis e visuais, fundando a unidade predicativa do mundo percebido que, por sua vez, servirá de referência à expressão verbal e a significação intelectual. Nesse sentido, não é ao objeto físico que o corpo é comparável, mas sobretudo à obra de arte. Quer dizer: Uma pintura, um poema, uma peça musical são indivíduos, isto é, seres nos quais não é possível distinguir a expressão daquilo que exprime, cujo sentido só é acessível mediante o contato direto, sem que abandone seu lugar espacial e temporal (FRAYSE-PEREIRA, p.182).

O corpo do canto é um corpo engajado, totalmente presente em uma experiência onde o campo sensível é constituído pelo fazer de uma arte que é ele mesmo. Um ser sonoro que encontra no corpo o eco motor da sua expressão:

Entre meus movimentos, existem alguns que não conduzem a parte alguma, que não vão nem mesmo procurar no outro corpo sua semelhança ou seu arquétipo: são os movimentos do rosto, muitos gestos e, sobretudo, estes estranhos movimentos de garganta e da boca que constituem o grito e a voz. Tais movimentos terminam em sons e eu os ouço. Como o cristal, o metal e muitas outras substâncias, sou um ser sonoro, mas a minha vibração, essa é de dentro que a ouço; como disse Malraux, ouço-me com minha garganta. E nisto, disse ele também, sou incomparável, minha voz está ligada a massa de minha vida como nenhuma outra voz. (MERLEAU-PONTY, 2012, p.140).

Em suma, o engajamento estético gerado pelo canto possibilita ao cantante alargar e refinar sua sensibilidade, a auto percepção, a auto cognição, a reconhecer os valores que emergem da sua expressão. Ao reconhecer, compreender e expressar tais valores, pode transformá-los. Aqui, reconhece-se seu potencial revolucionário: ao refinar a sensibilidade, o canto muda, ao mudar o canto, o ambiente muda. Com isso, possibilita não só uma transformação pessoal para os diretamente envolvidos mas, principalmente, como sendo parte de uma totalidade, se torna, inevitavelmente, como já abordado aqui, uma ação política e social pois ao nos sensibilizarmos, simultaneamente a percepção se alarga, o corpo expande, o comportamento muda, a expressão se potencializa e todo o ambiente se transforma, criando a oportunidade para organizarmos uma nova vida juntos.

Bibliografia

BAITELLO, Norval. A sociedade das imagens em série e a cultura do eco. Artigo: Revista F@ro Nº2

BERLEANT, Arnold. Aesthetic beyond the art: new and recent essays. Burlington: Ashgate Publishing Company, 2012.

BERLEANT, Arnold. Art and Engagement. Philadelphia: Temple University Press, 1991.

BERLEANT, Arnold. The Aesthetic Fields: A Phenomenology of Aesthetic Experience. New Zealand: Cybereditions Corporation, 2000.

BERLEANT, Arnold. The Aesthetics of environment. Philadelphia: Temple University Press, 1992.

BERLEANT, Arnold. Sensibility and Sense. UK: St Andrews Studies in Philosophy and Public Affairs, 2010.

BERLEANT, Arnold. The case of the Social Aesthetic. Artigo produzido para o I° Seminário de Estética Social e Engajamento. Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2016.

DAMÁSIO, Antônio R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano.São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

FRAYSE-PEREIRA, João A. Arte, dor: inquietudes entre estética e psicanálise. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005.

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

MERLEAU-PONTY, M. O visível e o invisível. São Paulo: Perspectiva, 2012.

[1] Escrevendo sobre a música vocal, Roland Barthes enfatiza o corpo e encontra nesse gênero musical o performer e o ouvinte como um só: “ A semente é o corpo onde a voz canta”

[2]“Em suma, os marcadores somáticos são um caso especial do uso de sentimentos gerados a partir de emoções secundárias. Essas emoções e sentimentos foram ligados, pela aprendizagem, a resultados futuros previstos de determinados cenários”. (Damásio. A, 1996, p.206)

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Cecilia Valentim

Cecília Valentim é cantora, psicoterapeuta somática e educadora vocal. Doutora e Mestre em Psicologia da Arte pelo IPUSP. Licenciada em Música pela FASM.